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Segundo o artigo, 62,5% dos pacientes eram do sexo feminino, 55,2% tinham entre 25 e 49 anos, 44,8% eram solteiros, 66,7% apresentavam baixo nível educacional e 35,4% tinham emprego formal. Além disso, 51,0% tinham história de tentativas de suicídio anteriores, 44,8% já haviam se submetido a tratamento psiquiátrico ou psicológico, 40,6% utilizavam medicamentos psicoativos regularmente e 35,4% estavam sob o efeito de álcool ou drogas no momento da tentativa. Os pacientes tentaram tirar as próprias vidas, principalmente, por meio da ingestão de medicamentos (39,6%) ou pesticida ‘chumbinho’ (33,3%). A prevalência de transtornos mentais entre os entrevistados foi de 71,9%. “A taxa total encontrada em nosso estudo é mais próxima da de pesquisas realizadas em países como Israel, Ilhas Fiji e Índia, que apresentaram uma taxa total dos transtornos mentais que variaram de 53% a 64%. Os estudos conduzidos em países europeus e americanos encontraram taxas próximas a 90%”, comparam os autores no artigo. Os transtornos mais prevalentes entre os pacientes do estudo da UFRJ foram: episódio depressivo maior (35,4%), abuso/dependência de substâncias psicoativas (21,9%), transtorno de estresse pós-traumático (20,8%), abuso/dependência de álcool (17,7%) e esquizofrenia (15,6%). Destaca-se, ainda, que 25% dos entrevistados apresentavam dois ou mais transtornos. Embora os casos de tentativa de suicídio atendidos no hospital do Rio fossem, em sua maioria, mulheres, a prevalência de transtornos mentais foi maior entre os pacientes do sexo masculino. “Uma possível explicação aponta para a hipótese já descrita de que uma síndrome depressiva nos homens seria diferente daquela presente nas mulheres. Essa síndrome se caracterizaria por sintomas psiquiátricos como: baixa tolerância ao estresse, baixo controle do impulso, baixa auto-estima, alcoolismo e suicídios”, dizem os autores no artigo. “Outra possibilidade seria o fato de os homens demorarem a buscar ajuda médica, encontrando-se assim com quadros mais graves de transtornos mentais”, acrescentam. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no ano 2000 houve cerca de 1 milhão de mortes por suicídio, enquanto o número de tentativas de suicídio pode ser até 20 vezes maior. A estimativa é que a cada 40 segundos uma pessoa morre no mundo em decorrência do suicídio, problema que está entre as três principais causas de morte na população entre 15 e 44 anos. Na mesma faixa etária, as lesões ou traumas decorrentes das tentativas de suicídio são a sexta maior causa de problemas de saúde e incapacitação física. “Além do acesso ao tratamento dos transtornos mentais, são necessárias políticas públicas que enfatizem o controle de meios e respostas sociais à redução do comportamento suicida”, recomendam os pesquisadores.
Texto: Fernanda Marques
Adm.
Alexandre Rocha Freitag Filho Laboratório
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