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Conheça a história e as manobras radicais que mudaram a vida do Paratleta Dênis

Hoje a história será sobre “Esportes Radicais” com Dênis Leão de apenas 24 anos e que já superou muito na vida. Ele é deficiente de sangue puro, nasceu com uma má formação da coluna e medula espinhal chamada de mielomeningocele. Com isso teve como sequelas o déficit motores das pernas e hidrocefalia que foi resolvida com o implante de uma válvula de drenagem no seu crânio.

Quando criança ele não teve uma rotina normal, nunca pôde ir para rua brincar com outras crianças por não ter uma cadeira de rodas e pelo lugar ser de terra. Sempre teve que ir a tratamentos, ser internado para fazer operações de correções da mielo. No período da escola sofreu discriminações e bullyng e que ele sempre acabava resolvendo na base da porrada, pois ele nunca foi de levar desaforo para casa e muito menos deixar pisar nele e sair de graça.

Sua família, às vezes, duvidavam de que ele poderia ter uma vida social normal, mas ele nunca duvidou de que ele poderia se virar sozinho pelo mundo a fora, de completar estudos, fazer faculdade, trabalhar etc.

Inicialmente Dênis entrou na onda do esporte que todo mundo fala (que parecia ser o único esporte existente pra cadeirante) que era o Basquete em Cadeira de Rodas. Ele entrou para o time de basquete da escola que só tinha “andantes”, já não ia muito com a cara do esporte e desanimou com o tempo participando de jogos junto com eles.

Dênis se sentia excluído, pois raramente recebia a bola e larguei de vez quando lesionou os quatro dedos da mão direita ao receber um passe errado.

Aos 16 anos começou a se interessar por adrenalina, foi onde começou a evoluir seu controle sobre a cadeira de rodas adquirindo a habilidade de andar empinando a cadeira para passar por obstáculos do cotidiano o mais rápido possível ( que mais tarde ficou sabendo de uma “modalidade esportiva” relacionada a isso chamada de Free Running em Cadeira de Rodas), e com isso começou a frequentar trilhas de caminhadas ou de motocross e BMX (adorava por sua capacidade a prova) só pela emoção de sentir a adrenalina e o perigo nas veias (com isso começou a precisar trocar de cadeira a cada 2 anos). Como não existia nenhum esporte de alto risco, ele começou a se interessar e praticar atletismo (corrida em cadeira de rodas) não era perigoso, mas pelo menos tinha a adrenalina. Mas descobriu que seguir carreira nele seria difícil pois iria precisar de uma cadeira especial que poderia custar de 13 mil para cima.

Foi aí que aos 18, Dênis mesmo montou sua própria cadeira de corrida e correu meia maratona (24 km) com ela. No meio do percurso reparou que ela tinha erros estruturais (era óbvio por ser um projeto caseiro da mente de um sonhador) após descer uma ladeira a 75 km por hora, mas por sorte os pontos de soldas não se romperam (o soldador era bom), terminou a prova apenas com a estrutura torta, mas valeu apena o risco corrido.

No mesmo ano dessa meia maratona, ele assistiu um vídeo no YouTube no seu serviço (de professor de informática), de um cara louco de cadeira de rodas descendo a mega rampa e dando um salto mortal, foi amor a primeira vista pelo esporte, é claro não pelo rapaz, mas sim pelas manobras radicais. Desde então Dênis começou a pesquisar pelo esporte e os equipamentos e cadeira necessária: que ao final acabou descobrindo que ele era Aaron Fortheringham o criador de uma modalidade esportiva que estava bombando nos Estados Unidos chamada de Hardcore Sitting que agora é chamada oficialmente de WCMX (wheelChair Moto Cross – o CROSS quer dizer “cruzar” que eles assemelham ao X por isso o X no final da abreviação e não o C) é oficialmente a versão adaptada da modalidade BMX (Bike Moto Cross) que é uma modalidade que consiste em fazer manobras com uma bicicleta e o nosso consiste em fazer manobras com a cadeira de rodas mesclando manobras do BMX e do SKATE. Graças ao WCMX ser padronizado e reconhecido garantiu a entrada de mais duas novas modalidades nas Olimpíadas e Paralimpíadas de 2020. Nas Olimpíadas o Skate e o BMX e nas Paralimpíadas o para-skate e o WCMX, pois para um esporte entrar nesse evento precisa ser criado um “análogo” dele para q deficientes possa praticá-los também. E descobriu também a única empresa brasileira (jumper equipamentos) que fabricava (e ainda é a única no Brasil que fabrica) a cadeira para esse esporte e ela fazia e faz eventos relacionados ao WCMX (hardcore sitting na época), Dênis já estava precisando trocar de cadeira naquele tempo e pensou: “talvez esse tipo de cadeira vá aguentar meu estilo de vida.”.

Sua dedução estava correta, o investimento valeu apena e está com a cadeira há mais de quatro anos e garantiu evoluir nesse esporte e hoje em dia a fabricante dessa cadeira o reconhece e mantém os olhos em suas evoluções e quer leva-lo para os Estados Unidos para competir no mundial de WCMX contra praticantes do mundo todo e incluindo contra o criador e o melhor do mundo nesse esporte. Essa é a nova meta de Dênis, evoluir para ser classificado para esse campeonato que é de suma importância, porque através dele é que se pode ir para as Paralimpíadas de 2020.

A melhor parte é a evolução e a dominação da manobra treinada que foi executada exaustivamente com muita calma, paciência, coragem e com muito suor e às vezes dores e lagrimas, mas é uma felicidade imensa em você conseguir executar algo que um dia era impossível para você, você se sente no paraíso e dono do mundo. Agora a pior parte que Dênis acha é o medo quando lhe domina e encontrar lugares pra treinar que são longe e tem que ir em pistas diferentes pra poder treinar manobras diferentes por causa da acessibilidade que não tem em todo trecho das pistas e o tempo de deslocamento. Isso acaba levando a exaustão e levando ao pensamento de desistir.

Dênis está com quase 4 meses na rotina mas não está uma das melhores, porquê está com problema de saúde, causado por um remédio para emagrecer que tomou sem prescrição médica, pois Dênis disse: “se me perguntarem qual foi meu maior erro e burrice na vida foi esse. Ele era rico em cafeína e me fez entrar em taquicardia em um sábado dia 22 de abril desse ano no treino de força na academia.” Dênis ficou por quatro dias internado, mas ainda estou com sequelas de um quase infarto que inclusive foi graças a condições de atleta que salvou sua vida (de acordo com a equipe medica que lhe atendeu). Aos níveis de enzimas que se encontrava em seu coração, teria tido infarto fulminante em um sedentário de sua idade. Agora ele está sendo pesquisado porque está tendo picos de pressão alta. Por esse motivo está em um dos esportes que mais gosta de praticar que é WCMX como esporte principal e às vezes dá umas pontas no Halterofilismo e Crossfit adaptado só para ajudar no incentivo da prática e reconhecimento desses esportes.

As competições do WCMX aqui no Brasil ainda não são bem uma competição (por falta de praticantes). Está mais para um evento pra chamar cadeirantes a conhecerem e praticar essa modalidade que ainda é desconhecida e temida aqui no Brasil, mesmo ela estando ha 10 anos aqui no Brasil (desde 2007), mas ja ganhei kits e incentivos da Jumper equipamentos que divulga o esporte aqui no Brasil. Medalhas e troféus só dos esportes que faço participações de vez em quando. Esse ano ficou em terceiro lugar no 2º jogos Crossfit adaptado, depois ficou em primeiro na primeira participação da categoria especial na maior competição da América Latina de Crossfit o Monstar Series – São Paulo e agora a pouco em julho mesmo sem autorização médica participou da copa supino que acabou ficando em terceiro lugar.

Meu recado é: “para aqueles que vivem assistindo ou vendo pessoas praticarem esportes de ação sente vontade de praticar e pensam consigo mesmos meu corpo “não vai me permitir”. O que eu digo a vocês é: a única coisa necessária para esse esporte é seu corpo lhe permitir tocar a cadeira sozinho, porque a base de todas as manobras estão nos braços então é possível. Fora do Brasil, praticam pessoas com lesões altas na coluna a nível torácicos e fazem coisas que ainda não estou ao nível. Tem pessoas com má formações nas articulações dos ombros, cotovelos e pulso, que praticam e fazem os movimentos ao mesmo nível de perfeição de quem não tem. Tem pessoas levando a prova o seu nível de habilidade em controlar a cadeira motorizada em obstáculos do cotidiano em ambiente controlado de competição. Isso só prova de que podemos alcançar a prática de qualquer atividade quando você conhece e domina seu próprio corpo e não é dominado pela maldita deficiência. Seja o autor de sua historia não deixa ela ser escrita por suas limitações físicas e psicológicas, seja todos os dias melhor do que você foi ontem e você terá uma melhor condição de vida e uma melhor autoestima. Se quiser seguir nesse esporte ficarei muito feliz em ter vocês como adversário. Como esse esporte esta em evolução aqui no Brasil e no mundo vai ser fácil ter carreira. Podemos não ter o reconhecimento e os investimentos de empresas e instituições, mas uma hora vão ter que nos notar e verão que deixamos de ser pessoas limitadas a nossa condição física e nos tornamos radicais encarando qualquer desafio!”, finaliza Dênis.

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