Áudio - Poema de Pablo Neruda na voz de Juan José Torres:
“Nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o
teu riso, porque então morreria”. Pablo Neruda.
Um poeta romântico. As letras, as
palavras, o conjunto de frases tocam profundamente a essência do
sentimento. Assim são as poesias de Neruda.
O chileno Pablo Neruda nasceu em 12 de
julho de 1904 e partiu em 23 de setembro de 1973. Foi um dos mais
importantes poetas da língua castelhana do século XX.
O poeta
nasceu em Parral, e seu nome de nascimento é Ricardo Eliécer Neftalí
Reyes Basoalto.
Era filho de
José del Carmen Reyes Morales, um operário
ferroviário,
e de Rosa Basoalto Opazo, professora primária, morta quando Neruda tinha
apenas um mês de vida. Ainda adolescente adotou o
pseudônimo
de Pablo Neruda (inspirado no escritor
checo
Jan Neruda),
que utilizaria durante toda a vida, tornando-se seu nome legal, após
ação de modificação do
nome civil.
Posso escrever os versos mais tristes esta
noite
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.