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ESPAÇO POÉTICO

Por Viviana Borchardt
viviboiat@uol.com.br

Momento Lindolf Bell

            O poeta Lindolf Bell, que é da cidade de Timbó, nasceu em 2 de novembro de 1938. Apaixonado pelas palavras e querendo que as pessoas tivessem acesso mais fácil à poesia, Bell criou, em 1964, o Movimento Catequese Poética. Com isso levou sua poesia aos diversos setores da sociedade como fábricas, viadutos, estádios, boates, teatros, praças e também em prisões. Em 10 de dezembro de 1998 o coração do poeta parou de bater, mas suas poesias permanecerão eternamente.

            A casa de Lindolf Bell transformou-se, em 2003, no museu “Casa do Poeta”, em Timbó. Um lugar sereno e encantador que incorpora o Centro de Memória, a Biblioteca, o Grão Espaço Cultural e a Praça do Poeta. Suas obras transformam corações, trazem emoção, sentimento, inspiração e faz-nos sonhar e acreditar pois, como dizia nosso eterno poeta: “Menor que meu sonho não posso ser”.

 

O Ribeirão da Infância
Livro: O Código das Águas

 

Não o reencontro.
Nem o reencontrarei
o ribeirão da minha infância.
Sua morte foi decreto público
de morte inteira.
De evitar qualquer vestígio.
Não teve prestígio.
Não tinha bandeira.

Nunca o fotografei.
Mas guardei-o em mim.
Nunca foi cartão-postal.
Mas é passaporte de saudade.

O ribeirão dorme
sob entulho,
num embrulho
de crueldade.
Dorme sob a assinatura
do decreto.
No esquecimento geral dorme
e dorme na minha inútil lembrança.

Nada o fará ressuscitar.
Riem de minhas perguntas,
caçoam do meu poema,
me apontam na rua,
me nomeiam entre os animais irracionais.

Não à minha frente
em seus disfarces de lobo e raposa.
Não em meus olhos
Com seus olhos de enguia. 

Mas em festas de família, sim.
E sobretudo aos sussurros, sim.
Ali dizem o que pensam
e se contorcem de rir até as lágrimas.

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