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ESPAÇO POÉTICO

por Viviana Borchardt
viviboiat@uol.com.br

Momento Castro Alves - 02

 

O escritor Antônio Frederico de Castro Alves, de acordo com o poeta Manuel Bandeira, era melodramático na desgraça e simples e gracioso na ventura. O que constituía o genuíno clima poético de Castro Alves era o entusiasmo da mocidade apaixonada pelas grandes causas da liberdade e da justiça: as lutas da Independência na Bahia, a insurreição dos negros de Palmares, o papel civilizador da imprensa, e acima de todas, a campanha contra a escravidão.

Os poemas "Vozes d'África" e "O Navio Negreiro" pertencem ao livro "Os Escravos". O primeiro é uma soberba apóstrofe – apóstrofe é a interpelação inesperada de um ente real ou imaginário – do continente escravizado, a implorar justiça de Deus. O que indignava o poeta era ver que o Novo Mundo, (talhado para as grandezas, para crescer, criar, subir), a América, que conquistara a liberdade com heroísmo, se manchava no mesmo crime da Europa.

No livro "Navio Negreiro" o poeta, conhecido como “poeta dos escravos”, evocava os sofrimentos dos negros na travessia da África para o Brasil. Diz-se que eles vinham amontoados no porão e só subiam ao convés uma vez ao dia para o exercício higiênico, a dança forçada sob o chicote dos capatazes.

Segundo o site “Jornal de Poesia”, “há que reconhecer nele a inspiração mais generosa de toda a poesia brasileira”.

 

O baile na flor

Livro: A Cachoeira de Paulo Afonso

 

Que belas as margens do rio possante,
Que ao largo espumante campeia sem par!...
Ali das bromélias nas flores doiradas
Há silfos e fadas, que fazem seu lar...

E, em lindos cardumes,
Sutis vaga-lumes
Acendem os lumes
P'ra o baile na flor.
E então — nas arcadas
Das pet'las doiradas,
Os grilos em festa
Começam na orquesta
Febris a tocar...

E as breves
Falenas
Vão leves,
Serenas,
Em bando
Girando,
Valsando,
Voando
No ar!...
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