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Movido pela música
A voz que conquistou a Rádio Atlântida por 15 anos está de volta no mundo do Rock.

  

Cleber Maçaneiro, 36 anos morador da cidade de Indaial trabalhou como locutor em várias emissoras da região, adquirindo experiência e profissionalismo, principalmente durante sua trajetória no grupo RBS.

Atualmente Cleber trabalha como produtor musical no estúdio que montou em sua casa, chamado de Casa do Rock Studio.

Você trabalha como comunicador há quantos anos?

Comecei no rádio em 1988 com 17 anos e nunca mais parei.

Qual foi seu primeiro trabalho na área?

Tudo começou quando um amigo meu, que era Locutor em Brusque, vivia me pedindo pra fazer teste na rádio pois achava minha voz bacana. Eu nunca queria ir até que depois de muita insistência dele fui fazer o teste na rádio 104FM de Brusque que não existe mais. Passei no teste e a partir dali o rádio passou a fazer parte da minha história.

O que acha mais interessante na área da comunicação?

O mais fascinante de tudo é ser praticamente anônimo no rádio, mas na comunicação em geral o interessante é justamente a própria “comunicação”. Cada meio (de comunicação) tem sua forma distinta de chegar ao público alvo, seja ela rádio, TV, escrita ou até mesmo outdoors. Sempre levo comigo que a simplicidade ganha às massas, um locutor cheio de gírias, por exemplo, é um locutor de extremos, ou você ama ou odeia. O mais importante é fazer com que a pessoa que te escuta entenda o que você diz. A voz não é o mais interessante, pois o necessário é passar segurança e credibilidade pra quem ouve o rádio. Velocidade de raciocínio e declarar bem cada sílaba falada, ajuda muito nessa hora.

Você trabalhou quanto tempo na Atlântida? Qual o programa que você apresentava?

Na Atlântida fiquei 15 anos, nesse tempo todo trabalhei em todos os horários da rádio, menos na Madrugada, mas o horário que mais apresentei no rádio era entre 13 e 19hs. Participei de muitas coisas em toda a rede, coordenei a Atlântida de Blumenau por duas vezes e sempre fiz locução, tanto na Atlântida de Blumenau quanto na de Florianópolis em algumas ocasiões especiais. Nesse período todo, fiz cobertura e apresentação de muitos eventos e shows, nacionais e internacionais. Uma das coisas mais interessantes foi trabalhar em praticamente todas as edições do Planeta Atlântida. Sempre participei muito ativamente da programação da rádio, seja na criação de programas e até mesmo na decisão de o que tocar para o público de Blumenau. Apesar de toda a programação seguir uma linha de rede, na minha época o coordenador é quem decidia o que era melhor pra “sua” emissora. Um exemplo disso eram algumas músicas locais que eu sempre fiz questão de tocar na rádio.

Como foi a experiência de trabalhar na rede RBS?

Realmente trabalhar na RBS foi um grande aprendizado. Fiquei praticamente minha vida de locutor na RBS. É um grupo muito grande e forte. Aprendi praticamente tudo que sei ali dentro, observando cada profissional e companheiro, recebendo e dando sugestões de como melhorar sempre o trabalho. É claro que como toda e qualquer empresa grande espera-se resultados, portanto éramos muito cobrados por isso. Cada empresa tem sua política e na RBS as coisas sempre aconteciam de maneira muito clara para cada funcionário. Muitas reuniões sempre fizeram parte de tudo e isso às vezes nos deixava exaustos. Na Atlântida sempre tivemos os melhores equipamentos e uma boa estrutura pra executar o trabalho, era normal uma cobrança da direção e, pelo menos, no período em que estive lá nunca deixamos a desejar, sempre estivemos a frente de tudo. Mas isso não é apenas por cobrança da empresa, pois os “desafios” devem partir de cada um em sua área, indiferente de ser RBS ou outra empresa qualquer.

Em quais meios de comunicação você trabalhou?

Sempre trabalhei com rádio, comecei em 88 em Brusque, depois fui pra Xanxerê, Caçador, Blumenau, Itajaí, Balneário Camboriú, voltei pra Blumenau e hoje estou com a CASA DO ROCK STUDIO e faço programas na Diplomata FM 105,3 em Brusque nos fins de semana. No período em que fiquei na Atlântida fiz algumas participações na TV, eram matérias de variedades no Jornal do Almoço e muitas loucuras no Patrola onde eu era conhecido como o “alemão maluco”. Tinha umas notinhas no jornal de SC nos fins de semana, mas nada muito fora do que já fazia na rádio. Mas todos os trabalhos na TV eram baseados nos trabalhos da rádio.

Você tem um estúdio próprio onde realiza vários trabalhos com música. Como funciona esse trabalho? 

Pois é, tenho a CASA DO ROCK STUDIO... Tudo começou quando conheci um amigo com um estúdio no Rio de Janeiro (AR STUDIOS) e me fascinei por aquilo. Como sempre estive envolvido com música, resolvi montar um estúdio próprio. Meu objetivo sempre foi ajudar s bandas a desenvolver seu trabalho. Essa parceria com as bandas deu tanto certo, que o estúdio passou a ser meu verdadeiro trabalho, deixando a rádio um pouco de lado. Hoje gravo bandas da Região e algumas de fora também como Florianópolis, Joinville e até mesmo Porto Alegre. Me especializei em áudio e hoje conto com um bom estúdio que foi inclusive destaque na revista “Áudio, Música & Tecnologia” edição de agosto 2008. Se quiserem conhecer a CASA DO ROCK, basta acessar o site www.casadorockstudio.com ou fazer uma visita, o café é por minha conta!

Quais as principais dicas para as pessoas que gostariam de seguir carreira na locução?

A primeira delas é: siga seus instintos! Não adianta nada ter uma bela voz se não tiver como colocá-la de maneira correta no Microfone. Não falo em impostação de voz, até mesmo que para o rádio isso não é mais necessário. Hoje o locutor não precisa ter uma boa voz, mas sim declarar cada sílaba que fala. É claro que se você tiver uma faculdade em alguma área da comunicação ajuda bastante, mas a pessoa só vai aprender mesmo fazendo o trabalho numa emissora. Hoje o mercado está muito fraco de locutores, cada vez mais se procura gente competente pra isso e é difícil de encontrar. Se você realmente quer seguir carreira de locutor, o meu conselho é: Leia muito e pratique em voz alta, ouça várias rádios e perceba como é o trabalho, tente encontrar seu estilo e grave sua voz pra ver como fica. Quando estiver contente com o resultado mostre em alguma emissora e tente uma vaga. Geralmente desaconselho cursos de locução, pois a maioria é sem credibilidade e não se aprende muita coisa, alguns até são sérios, mas acho ainda que é o tipo de coisa que só se aprende trabalhando mesmo. Ah, um locutor leva em média uns seis meses de prática diária para ficar num padrão profissional, portanto não se desespere isso é normal.

Como você analisa a mulher no mercado de trabalho na locução?

A mulher, no mercado de locução, sempre foi uma questão de extremos, ou você ama ou odeia, isso é fato. Talvez por essa razão não existam muitas no mercado, mas não é nada desanimador. Particularmente acho o máximo ouvir uma voz feminina no rádio. É a mulher quem dá o equilíbrio numa estação de rádio, com sua delicadeza e respeito. Se eu fosse mulher, procuraria me especializar na área, pois o mercado está carente delas. Hoje é muito difícil encontrar vozes femininas para comerciais é um mercado a ser explorado por elas, pois com a escassez podem faturar muito mais que os homens!

Qual a sua opinião em relação às rádios comunitárias?

Olha, com a internet cada vez fazendo mais parte do nosso dia-a-dia, não sei qual vai ser o futuro do rádio. As comunitárias em meu pensamento, se fizerem um trabalho realmente comunitário nunca poderão deixar de existir, chega a ser uma necessidade, pois é um dos meios que a comunidade tem para se promover e divulgar, nas horas boas e ruins, o que não podem é querer competir com emissoras comerciais. Se cada rádio buscar seu objetivo e seguir corretamente sua linha vai conseguir seu espaço sem problemas. Não acho que rádios comunitárias devam ser jornalísticas, mas acho que devem fazer um trabalho voltado para sua comunidade, pois é exatamente o que ela é, uma rádio comunitária.

Qual a relação Cleber e a música?

A música sempre fez parte da minha vida como provavelmente da vida de todos, mas em especial eu vivo dela. Desde que montei a CASA DO ROCK STUDIO tenho tido uma participação muito interessante na criação de algumas delas. A partir daí passeia ouvir música de uma maneira diferente, mais técnica, analisando cada parte, cada instrumento enfim, cada arranjo. Minha vida é movida a música e isso é a coisa mais bacana que uma pessoa pode querer. Sempre digo “eu não trabalho, apenas me divirto”, e é a mais pura verdade, hoje faço o que gosto e não devo satisfações a ninguém. Isso, creio ser uma das coisas mais importantes pra uma pessoa, viver bem fazendo o que gosta e sem se preocupar com horários e patrões. Sou literalmente movido pela música, ou pelo menos pela criação dela!

Por: karina Beatrice Frainer
E-mail: kmodinha@gmail.com

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