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A busca pela Liberdade nas alturas

Por Karina Beatrice Frainer

 

O sonho do ser humano de voar livre somente com seu próprio corpo, tornou-se uma realidade a partir da criação do paraquedas. Na busca pelo inexplicável sentimento de bem estar e liberdade levou, em 1931 no Brasil, Charles Astor, a incentivar e dar continuidade a prática do esporte no Aeroclube de São Paulo, atuando sozinho e formando alunos pelo país.

O rodeense de 23 anos Edgar Maccoppi busca em seus saltos a superação dos limites e o sentimento de liberdade através do paraquedas.

Com início na prática de esportes de aventura como Rapel, Rafting e vários outros, que utilizavam cordas e demais materiais de segurança, Edgar quer sentir adrenalina. “Um dia fui convidado para fazer o curso, e desde então minha paixão vem aumentando a cada vez mais”, afirma ele.

Segundo Edgar o momento mais difícil do salto é manter a posição em queda estável. “O nervosismo está presente desde o embarque até o momento em que você sente que está em terra firme, mas é maravilhoso!”.

No esporte, o atleta salta de uma aeronave em determinada altura suficiente para que o paraquedas possa abrir. O instante da saída da aeronave até abertura é chamada de queda livre. Saltando de uma altura suficiente, o atleta irá atingir a velocidade terminal onde o único atrito é com o próprio vento. Na posição normal de queda livre (Box - posição de um paraquedista – membros expostos ao vento com o peito para baixo) pode atingir a velocidade de 200 km/h.

O avião utilizado para a prática do paraquedismo necessita de uma avaliação e aprovação da ANAC e INFRAERO. O equipamento utilizado para o salto segue normas de segurança, possuindo uma validade. Após o vencimento, o equipamento retorna a empresa que o produziu. O paraquedas utilizado pelos alunos difere do paraqueda utilizado pelo atleta, em questão de tamanho e sistema de abertura.

O paraqueda consiste em um punho para abertura do paraqueda principal, um punho para desconexão do paraqueda principal e um punho para abertura do reserva. Para o aluno, o rádio de comunicação que vai preso ao capacete tem grande importância para auxiliar durante o pouso. O altímetro é utilizado para localizar altura em que se encontra o aluno. O resto do material é apenas visual.

Para formação do atleta existem dois cursos que são credenciados pela FAI – Federação Internacional da Aeronáutica. Curso ASL – (Acelerated Static Line) onde o atleta após fazer o curso teórico inicia a prática de progressão saltando do avião a 4.500 pés, tendo seu paraqueda aberto por uma linha estática presa no avião. Conforme o resultado de aprendizagem do aluno, a fita é retirada, e este comando seu próprio paraqueda, não necessitando mais de auxilio.

Curso AFF (Acelerated Free Fall) – Queda livre acelerada. O aluno após o curso teórico, então inicia desde seu primeiro salto queda livre a 10.000 pés, com um instrutor em queda livre do lado esquerdo e o outro do lado direito para servir de base para o aluno. Conforme o aproveitamento do aluno reduz-se o número de instrutores no auxílio ao salto. Após o término dos cursos, o aluno está apto para a realização da prática do paraquedismo.

Salto Duplo – O salto duplo proporciona aventura para o passageiro, que está acompanhada junto ao instrutor. O salto não possui objetivo de formar atletas e sim a prática do esporte. O instrutor é altamente capacitado, realizando vários cursos. Em Santa Catarina existem somente dois instrutores capacitados.  

No estado existe a FECAP – Federação Catarinense de Paraquedismo, que tem o objetivo de orientar os profissionais e auxiliar os atletas na prática. No total o país possui atualmente 2.933 atletas cadastrados nas federações.

De acordo com Maccoppi, todo o esporte possui o seu risco, e no paraquedismo isso pode acontecer tanto para quem possui um salto, como para quem já fez muitos. “Sofri um acidente quando realizei um pouso, fraturando a tíbia. Logo após o acidente fiz uma operação para a colocação da platina, mas em nenhum momento pensei em desistir de voar. É impossível explicar uma sensação de salto. Acredito que o esporte foi criado para o ser humano sentir o seu limite.”, explica.

Atualmente outro Rodeense realizou o curso na cidade de Governador Celso Ramos, próximo a capital. Evandro Ochner já fez seu primeiro salto incentivado pelo amigo Edgar.

“Não considero o esporte perigoso, pois os procedimentos de segurança são rigorosamente analisados. Quando você gosta de um esporte passa a analisar os detalhes”, explica Edgar.

A não abertura do paraquedas pode ser algo normal. Caso isso aconteça, parte-se para o processo de emergência, desconectando o paraqueda principal e comandando o reserva.

Maccoppi revela que 80% dos valores gastos no esporte são relacionados ao combustível e a manutenção do avião. Por isso o avião precisa estar apto para a prática. A vaga de um atleta no avião no Brasil custa em média R$ 80,00 a R$ 100.00. Porém o valor varia de acordo com a altura.

“O primeiro passo é procurar informações sobre o esporte, saber onde estão localizadas as escolas de paraquedismo mais próximas a sua região afiliada a CBPQ (Confederação Brasileira de Paraquedismo). Inicialmente existe o curso teórico, com algumas legislações, temos técnicos, todos os procedimentos a serem aplicados no decorrer do curso, identificando as possíveis panes, além de treinar exaustivamente os procedimentos de emergência. Após a parte teórica, o aluno passa aos estágios, ou seja, os trabalhos de campo. Um ponto importante a ser lembrado, é aprendizagem da leitura do altímetro”, ressalta o atleta.

Para mais informações acesse www.cbpq.org.br

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