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Radioamadorismo

Colunista - Haroldo Ritzke - PP5HR
E-mail:
pp5hr@tpa.com.br

10/09/2009

 
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Radioamador:

É a pessoa física detentora de um COER (Certificado de Operador de Estação de Radioamador). Não é o equipamento utilizado para a comunicação, como muitas vezes aparece na mídia.

Radioamadorismo:

Por definição, é um serviço de telecomunicações de interesse restrito, destinado ao treinamento próprio, intercomunicação e investigações técnicas, levadas à efeito por amadores, devidamente autorizados, interessados na radiotécnica unicamente em caráter pessoal e que não possuam qualquer objetivo pecuniário ou comercial

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Celebrando o Primeiro QSO Transatlântico

Em 11 de dezembro de 1921, a mensagem telegráfica original transmitida pela estação 1BCG na América, foi integralmente recebida por Paul Godley, instalado precariamente numa barraca litorânea na costa da Escócia. O grande Atlântico havia então sido conquistado! Entretanto, nesta oportunidade, nem Paul Godley e nem qualquer outro teve condições, neste aspecto, de retornar uma mensagem de volta lá do outro lado do oceano. Para tanto, havia ainda muito trabalho por ser feito.

Não foi senão até o quarto e último dos testes transatlânticos realizados posteriormente, em novembro do ano de 1923, que a primeira comunicação bilateral transatlântica ocorreria entre estações de radioamadores. O então gerente de tráfego da ARRL, Fred Schnell, 1MO e, logo depois, John L. Reinartz, 1XAM, (mais tarde W4CF e K6BJ, respectivamente) trabalhariam a estação 8AB, de Leon Deloy em Nice, na França.

Na medida em que os eventos aconteceram, foi a 1MO em West Hartford, Connecticut, quem primeiro contatou com a 8AB na França. O QSO entre ambas durou quase duas horas! Mais tarde nessa mesma noite foi Reinartz, com a sua 1XAM, quem duplicaria a façanha inesquecível. A QST relatou mais tarde que, alguns meses antes, o Sr. Deloy havia visitado os E.U.A. “com a intenção declarada de abarcar o Atlântico” naquele inverno. Ele teria participado da convenção da ARRL em Chicago e havia se encontrado com centenas de amadores dos E.U.A., para com eles compartilhar informações e técnicas.

Uma observação à parte: John Reinartz fora um bom amigo do curador do museu da “Antique Wireless Association”, Bruce Kelley, W2ICE. Reinartz certa vez deu a Kelley uma “garrafa” de reposição para seu transmissor 1500T de telefonia de um quilowatt. Era uma 2000T, que hoje pende na sala de válvulas anexa a AWA. Reinartz também trabalhou para a Eitel-McCullough (EIMAC) e foi o autor de muitos artigos e dicas para os construtores amadores de sua época. Mike Raide, W2ZE, está no processo de restauração completa deste transmissor de telefonia de Kelley à operação.

Nos testes unilaterais de dezembro de 1921, a estação 1BCG foi operada no que era então considerado como "ondas curtas”, de aproximadamente 230 metros. Em 1923, 1MO e 1XAM trabalharam a 8AB de Deloy na França num comprimento de onda aproximado de 100 metros. Nesta época os comprimentos de onda muito abaixo dos 200 metros eram considerados como “terras de ninguém”. Mas, certamente, aquelas “ondas curtas” fizeram o seu trabalho, e o êxodo da região de 200 metros já havia começado! Deve-se notar que a importância e o significado destas realizações de radioamadores estão bem registradas e ilustradas nos “Proceedings of the IEEE”.

O trasmissor de 1MO pareceu ser, essencialmente, uma montagem autoexcitada e com auto-retificação de onda completa com quatro válvulas 203A num circuito Hartley, de alimentação em derivação paralela. Dois conjuntos de duas válvulas são colocados em paralelo, com cada par de válvulas conduzindo em meio ciclo de 60Hz da linha de alimentação. O sinal resultante continha uma perceptível nota de 120Hz, que mesmo sob adeversas condições de banda se mostrava muito aparente. Nada é mencionado sobre o sistema de antenas da estação 1MO.

O receptor da 1XAM consistia de um detector com a UV201A e as então recentes e novas bobinas em “teia de aranha” e mais um estágio de áudio de “dois andares” com a 201A para o falante.

Diga-se que Reinartz também utilizou-se da engenhosa combinação de um casal transmissor e receptor para permitir a operação em “full-break-in”, ilustrado em um artigo na edição de janeiro de 1924 da QST, que também

relatou minuciosamente a assombrosa realização do novembro anterior.

Pouco foi mencionado sobre os equipamentos de Leon Deloy da 8AB em Nice, França, além de que os seus sinais soavam com um forte AC superposto de 25Hz. O artigo da QST em 1924 também destacava que foi autorizado até 1kW de entrada, e devemos assumir que, de fato eles trabalharam próximos destes níveis de potência. Sabe-se que o seu receptor era um Grebe CR-13.

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