Educação para o futuro – por Juliano Bona (O mundo dentro do MUNDO!)

Educação para o futuro – por Juliano Bona (O mundo dentro do MUNDO!)

6 de abril de 2021 Off Por Redação

 

 

O mundo dentro do MUNDO!

 

               Tenho alguns anos de experiência na educação. Escrevo na primeira pessoa para destacar algo que não pertence ao que poderíamos definir como o “eu” que me constitui. Já chegaremos neste ponto, doravante, me considero um privilegiado, além de ter vivido todo este tempo na academia, graduação, mestrado, doutorado, tive a oportunidade de ter lecionado em todos os períodos, fundamental, médio, superior e também no mestrado e doutorado nos estágios docentes. Estou lendo muitas coisas no momento, pesquisando, mas existe uma experiência que me falta e me sinto como um observador intrigado diante das professoras e professores das séries inicias. Quem me conhece de forma próxima sabe de minha admiração para com estes profissionais que se dedicam de forma intensa e comprometida com a educação dos pequenos.

               Porém, e em conversas com algumas das professoras das séries iniciais, venho pensando sobre os desafios iniciados em 2020 e que permanecem em 2021, dos professores, professoras, alunos e alunas diante dos ensinos não presencial e híbrido. Os relatos que perpassam os pensamentos do observador são os mais intrigantes. Em um primeiro momento, no ensino não presencial, as aulas e as atividades foram feitas de forma totalmente remotas. A energia gasta pelos professores e professoras para manter os pequenos alunos conectados transcende a qualquer opinião ingênua de quem vê o processo de fora. No ensino hibrido, os desafios não são menores. Aulas remotas, correções, grupos separados para que haja o distanciamento mínimo necessário, pais ansiosos, alunos com dificuldades e habilidades diferentes. Sem falar dos aspectos relacionados ao conhecimento, análise epistemológica, como costumamos chamar nos grupos de pesquisa. O desenrolar dos conhecimentos é menos linear nos anos iniciais se compararmos com os anos finais. Organização dos conhecimentos, os afetos que trocamos com nossos alunos, parecem convergir para um único ponto, que, em última análise, se projeta na saúde mental dos professores e professoras. Os rostos, os olhares, não escondem as pressões. Respeito, um carinho grande que estas letras querem registrar.

               Se pensarmos de forma inversa, e este é um ponto decisivo que aparece em forma de pergunta: como uma criança que está nos anos iniciais, que está começando a caminhar sobre as trilhas do conhecimento, percebe tudo o que está acontecendo em sua vida e na escola? Vale destacar que eles também observam tudo, as distâncias, as angústias dos pais e professores estão de alguma forma no radar destas crianças. A pandemia e os protocolos de distanciamento afetam sua aprendizagem em uma profundidade que ainda não temos como medir. O tempo nos mostrará. Cabe destacar, ainda, que as crianças desenvolvem nos primeiros anos uma série de linguagens, não apenas aquelas relacionadas à escrita e à matemática. Existe uma construção epistemológica, como óculos que se articulam às linguagens que se expressam nos gestos, nos comportamentos dos coleguinhas, nas práticas dos professores e professoras, que servirão de guia de sua percepção. Literalmente, e de forma potente, nos primeiros anos que as crianças aprendem, muito mais que letras e números, é neste período que elas constroem suas referências que lhes permitirão observar e se movimentar no MUNDO. E é neste ponto que levanto a segunda pergunta: como estas referências linguísticas que permitem a edificação de verdadeiros observatórios do MUNDO estão sendo construídas diante da experiência pandêmica que nossas crianças vivem em nosso momento histórico?

               As respostas estão sendo discutidas. O horizonte prático para futuras estratégicas paliativas estão longe de ser feitas. É um dos desafios de nossa geração de professores. Enquanto isso, desejo força, força aos professores professoras, alunos e alunas que estão iniciando sua caminhada no mundo do conhecimento. Arquitetando seu mundo dentro do MUNDO!     

 

 

Juliano Bona – Doutor em Educação pela Universidade do Vale do Itajaí – Univali (2020). Atua como professor de matemática na Rede Pública Municipal de Timbó/SC. Tem experiência no Ensino Superior nas seguintes áreas: Educação, Educação Matemática, Cálculo Diferencial e Integral, Geometria e Álgebra Linear. Desenvolve pesquisa na área da Educação, Educação Matemática, Processo de Internacionalização do Currículo (IoC), Estudos Interculturais, Intermatemática e Filosofia da Diferença.