Educação para o futuro – por Juliano Bona (Vacinação e a vida na educação)

Educação para o futuro – por Juliano Bona (Vacinação e a vida na educação)

17 de junho de 2021 Off Por Redação

 

 

Vacinação e a vida na educação

 

               Durante todo este período pandêmico, vários estudiosos, professores e gestores descreveram as diferentes dimensões e dificuldades enfrentadas pela educação de forma ampla: ensino remoto, híbrido, evasão escolar, saúde mental, alargamento das desigualdades sociais e acesso à internet, dentre outros. Os problemas e os desafios são gigantescos; porém, o pano de fundo sempre foi o mesmo: a tristeza das mortes provocadas pelos vírus. A abstração dos números, caso de pessoas que antes pareciam distantes, começaram a se tornar objetivas, próximas às nossas famílias e às das crianças e adolescentes que frequentam as escolas.

               Diante desse contexto de incertezas e tentativas, colocamos as questões pedagógicas, educacionais, em primeiro plano. Com poucas exceções, os professores acabam deixando as questões biológicas relacionadas à infecção do vírus em si em uma espécie de plano do esquecimento, para construir o mínimo de saúde mental suficiente para o exercício do trabalho. Mesmo diante de todas as preocupações relacionadas ao vírus, que muitas vezes apareciam no calar da noite, nos momentos de descanso, as práticas diárias, os afazerem e a energia necessária para o cumprimento das demandas educacionais, escondem as preocupações de uma camada obscura que fica escondida em muitos momentos.

               O momento da vacina, agora falando de um ponto de vista pessoal, mas que acredito se estender para muitos colegas professores e professoras, desperta uma emoção difícil de descrever. Acredito que esta emoção, por sua vez, é maximizada pela sensação de proteção e da tristeza de tantas pessoas que não estão tendo a mesma oportunidade e acabaram perdendo a sua vida diante da calamidade instalada. Todavia, acredito que a força emocional se justifique pela retenção, a tentativa constante de esconder, como citamos anteriormente, a dimensão biológica do vírus em virtude dos afazeres diárias articulados as práticas educacionais/pedagógicas.

               A comunidade escolar está cumprindo em quase sua totalidade a vacinação no que se refere a primeira dose. Mais alguns dias, com a aplicação da segunda dose, estaremos totalmente imunizados. Nossos votos são de que todos sejam vacinados o mais rápido possível. A vida está em todos os lugares, sua singularidade extrapola em muito nossa percepção simbólica do que ela representa. Na educação, nos espaços educacionais, a vida, diante das preocupações diárias relacionadas aos conhecimentos dos nossos alunos, fica em segundo plano. A vida, em sua total plenitude, como um lampejo de memória adormecida, nos é novamente revelada no momento da vacinação. Que possamos retomar o que a vida significa, e que as necessidades profissionais não nos deixem esquecer que somos humanos.


Juliano Bona – Doutor em Educação pela Universidade do Vale do Itajaí – Univali (2020). Professor de matemática, atua na equipe gestora na Rede Pública Municipal de Timbó/SC – Semed. Tem experiência no Ensino Superior nas seguintes áreas: Educação, Educação Matemática, Cálculo Diferencial e Integral, Geometria e Álgebra Linear. Desenvolve pesquisa na área da Educação, Gestão Educacional, Educação Matemática, Processo de Internacionalização do Currículo (IoC), Estudos Interculturais, Intermatemática e Filosofia da Diferença.