Contra o El Niño: Defesa Civil da Amve traça plano de prevenção

Contra o El Niño: Defesa Civil da Amve traça plano de prevenção

Maio 29, 2026 Não Por Redação

 

 

Encontro realizado em Apiúna reuniu gestores e meteorologistas para debater os impactos e o monitoramento do fenômeno no Vale Europeu durante o segundo semestre de 2026.

Na manhã desta quinta-feira (28), o Colegiado de Proteção e Defesa Civil da Associação de Municípios do Vale Europeu (Amve) se reuniu no município de Apiúna para debater o panorama climático e estruturar ações preventivas para a região. O principal destaque do encontro foi a iminente formação do fenômeno El Niño e seus potenciais impactos em Santa Catarina a partir do inverno e, de forma mais acentuada, durante a primavera deste ano.

A reunião contou com a participação de meteorologistas da Defesa Civil do Estado de Santa Catarina e da Secretaria Municipal de Defesa Civil de Blumenau, que apresentaram projeções climáticas atualizadas aos gestores da área dos demais municípios da Amve.

De acordo com os dados apresentados, as chances de configuração do El Niño no segundo semestre são expressivas. Conforme Felipe Theodorovitz, meteorologista-chefe da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, o El Niño é um fenômeno que acontece no oceano, tem resposta na atmosfera e altera os fatores de chuva e temperatura em diversas regiões.

Segundo ele, entre os impactos na região Sul do Brasil, especialmente em Santa Catarina, espera-se a intensificação no transporte de umidade, maior frequência de chuvas e elevação de temperaturas, aumentando a probabilidade de eventos extremos.

“Previsão climática é uma tendência, logo não conseguimos trazer detalhes sobre quanta chuva vai cair e em que momento vai cair, mas conseguimos definir mais ou menos uma janela em que essa probabilidade é maior”, explica Felipe Theodorovitz.

O presidente do Colegiado da Amve e diretor de Defesa Civil de Rodeio, Fábio Melere, ressaltou que os municípios já estão trabalhando internamente para mitigar os riscos e pediu serenidade à população.

“A principal mensagem é atenção, obviamente, para as pessoas que residem em áreas que possam ser atingidas por fenômenos principalmente relacionados às chuvas, como inundações graduais e deslizamentos de terra. Acompanhem os alertas da Defesa Civil porque essas atualizações são feitas de forma constante e elas vão ser mais assertivas sempre mais próximo do evento”, declarou Melere.

O meteorologista da Secretaria Municipal de Defesa Civil de Blumenau, Gabriel Cassol, explicou que o El Niño atua como um facilitador de eventos extremos, mas não opera sozinho. “O El Niño, para a ocorrência de um desastre, precisa estar acoplado com outros fenômenos, como frentes frias e bloqueios atmosféricos, fenômenos que a gente só consegue identificar com poucas semanas ou poucos dias de antecedência”, esclareceu Cassol.

Ele destacou que previsões climáticas de longo prazo apontam apenas tendências, e que os detalhes sobre o volume exato de chuva só podem ser observados em um curto período de tempo. Segundo ele, a orientação técnica para os moradores, especialmente aqueles que residem em áreas com relevos mais íngremes ou encostas, é de vigilância preventiva. Recomenda-se que a população verifique se os sistemas de drenagem e as canalizações das residências estão limpos e desimpedidos para escoar a água das chuvas, evitando que cenários de chuva intensa deflagrem deslizamentos locais.

Os impactos previstos para a região

Historicamente, o El Niño altera as condições atmosféricas globais a partir do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, provocando o aumento significativo no volume e na frequência das chuvas na Região Sul do Brasil.

Para Santa Catarina, e especificamente para o Vale Europeu, os meteorologistas alertam para os seguintes riscos: temporais e chuvas intensas, inundações e enxurradas, deslizamentos de terra e mudança nas temperaturas.

Michele Prada / AMVE