5 dicas de como organizar o orçamento e usar bem o FGTS

5 dicas de como organizar o orçamento e usar bem o FGTS

14 de setembro de 2020 Off Por Redação

 

 

Consultor de Finanças Pessoais orienta como adequar a realidade ao orçamento e ainda conseguir se organizar financeiramente.

Os novos hábitos e costumes ocasionados pela pandemia da Covid-19 mudaram a rotina de grande parte da população. Para a maioria dos brasileiros, a pandemia impactou negativamente o orçamento familiar. É o que mostra pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com a Offer Wise. No estudo, 42% dos brasileiros afirmam que a pandemia aumentou o seu nível de gastos.

De acordo com os entrevistados, os principais motivos para o aumento das despesas são os gastos com supermercado (68%), o aumento de preços de produtos e serviços (49%) e o aumento nos gastos com contas básicas, já que 47% deles têm passado mais tempo em casa.

Uma das saídas para dar conta do recado é utilizar o saque emergencial FGTS, que está ocorrendo desde junho de 2020. Tem direito ao saque todo titular de conta do FGTS com saldo, incluindo contas ativas e inativas, no valor de até R$ 1.045,00 por trabalhador. O saque pode ser feito até 31 de dezembro de 2020.

Mas, como usar o FGTS para adequar a realidade e o orçamento e ainda conseguir se organizar financeiramente? O consultor de Finanças Pessoais, Eduardo Lara, traz algumas dicas para os consumidores e lojistas de como fazer o bom uso deste recurso.

Eduardo Lara é consultor de Finanças Pessoais, Corretor de Seguros, Palestrante e parceiro da CDL Blumenau

Dicas para os consumidores

Meu FGTS foi liberado, o que fazer? Como elencar as prioridades no uso desse dinheiro?

Para priorizar da melhor forma o dinheiro do FGTS, vale a mesma dica para o uso de todo e qualquer dinheiro: ele não deve servir apenas para cobrir gastos, pois contas pagas em dia não são sinônimo boa situação financeira. O ideal, então, é ter objetivos de curto, médio e longo prazo ao mesmo tempo em que somos capazes de consumir o que proporciona qualidade de vida no presente.

Exemplificando: No curto prazo, talvez seja necessário quitar uma dívida, fazer um tratamento ou conserto que vinham sendo adiados, ou uma compra de algo que seja realmente necessário para o momento. Já no médio prazo, estar em condições de arcar com a formação dos filhos. E, no longo prazo, atingir a tão sonhada independência financeira. Ter todos estes objetivos listados faz com que não venhamos a gastar tudo agora, e garante-se também o que está planejado para o futuro.

Com esta lista dos objetivos em mãos, podemos acrescentar o segredo para sempre poder adquirir produtos e serviços desejados ao longo do caminho: é o chamado Minimalismo. Um conceito sobre o qual cada vez mais se fala e que veio para ficar, pois é interessante não só para situações de crise. Afinal, ser minimalista não é ter o mínimo de tudo, mas sim, ter o mínimo das coisas menos importantes para que você possa ter mais daquilo que lhe deixa feliz.

O consumidor deve quitar primeiro às dívidas?

Devemos lembrar que, para sempre ter o crédito que pode ser necessário em outro momento de crise, o ideal é, sim, quitar dívidas antes de fazer novas compras. Como os juros que pagamos tendem a ser maiores do que os juros que recebemos ao investir, quitar logo a dívida é mais fácil do que esperar até o momento em que ela já pode estar bem maior. E quem tem mais de uma dívida deve priorizar a quitação das que têm juros maiores (já que crescem mais rápido), e sempre procurar os credores, negociar e manter seu nome limpo.

Se for às compras, como cuidar para não se endividar?

Antes da ida às compras, o ideal é que cada um conheça bem seu próprio orçamento. Para isso, não basta apenas anotar gastos já realizados. O ideal é fazer projeções para os meses seguintes considerando o dinheiro que entra e todas as despesas, verificando quanto sobra (ou falta) no fim de ano caso uma nova parcela seja assumida. Assim, podemos fazer as compras sabendo quanto precisamos negociar para adquirir aquilo que não vai comprometer o orçamento, evitando dívidas e pagamento de juros.

Como manter o orçamento estável nesse período de incertezas? 

Não é o corte do cafezinho ou de outros pequenos gastos que vai ajudar a equilibrar o orçamento. Mais eficaz é a redução dos grandes gastos (moradia e automóvel), que de forma automática vai causar um efeito cascata na redução de outras despesas. Então, se não for possível negociar no momento a troca do imóvel e do carro por opções mais simples, pense em formas de compartilhar estes bens. Assim, continuará resolvida a necessidade de morar e de se locomover, ao mesmo tempo em que sobra mais dinheiro para o consumo de outros produtos e serviços, bem como para investir para estar com as finanças mais fortes para qualquer situação.

O FGTS pode ser um segurança de renda? É melhor guardar esse dinheiro?

Antes de pensar em guardar, caso tenha alguma dívida, o consumidor deve quitá-la. E, para quem ainda não tem uma reserva de emergência, convém lembrar que ela ajuda não só para momentos de pandemia, mas para qualquer imprevisto pessoal (um conserto, um gasto com saúde, etc.). Vale observar que quem já formou uma reserva no passado está atravessando o momento atual com muito mais tranquilidade. E quando contamos com uma reserva para situações inesperadas, evitamos o pagamento de juros de dívidas e podemos continuar consumindo, ajudando a manter empregos e contribuindo com toda a cadeia econômica.

Dica para os lojistas

Como o lojista pode aproveitar a liberação desse valor para estimular as vendas?

Além de entender que os atuais inadimplentes talvez mereçam uma chance por conta desta situação atípica de pandemia, o trabalho do lojista para aproveitar o momento é anterior à liberação do FGTS: Quem sempre atendeu bem terá a preferência do consumidor que, livre de dívidas, poderá utilizar o dinheiro para fazer novas aquisições de produtos ou serviços.

Além disso, por mais que existam campanhas voltadas ao consumidor para estimular as compras locais, quando o lojista está preparado para vender também online, pode-se conseguir boas vendas mesmo ao atender clientes distantes, que talvez nem mesmo tenham certas opções de consumo em suas localidades.

Por fim, o próprio lojista pode fazer um trabalho educativo para estimular as vendas não só na liberação do FGTS, pois o consumidor que tem Educação Financeira acaba tendo um poder aquisitivo maior, garantindo um consumo sustentável e crescente para sempre, mesmo em casos de imprevistos.

Campanha de incentivo ao FGTS

Só em Santa Catarina, o saque emergencial do FGTS beneficiará 2,7 milhões de trabalhadores, o que representa R$ 1,8 bilhão na economia. Ao todo, no Brasil, aproximadamente 60 milhões de pessoas terão direito a mais de R$ 37,8 bilhões. Para incentivar o uso do FGTS, em junho, a CDL Blumenau lançou a campanha: “Saque emergencial FGTS: Bom para você, bom para os empregos, bom para economia, bom para todos nós!

Além de promover o uso consciente e responsável do FGTS, os objetivos da ação são incentivar o consumidor, que tem restrição no nome, a quitar a dívida; e aquecer a economia de Blumenau, estimulando o consumidor que for às compras a optar pelas lojas da cidade.


Karin – Imprensa CDL Blumenau