Governo do Estado revoga portaria que alterava receita da Linguiça Blumenau

Governo do Estado revoga portaria que alterava receita da Linguiça Blumenau

Junho 6, 2026 Não Por Redação

 

 

Após mobilização dos produtores e atuação do deputado estadual Napoleão Bernardes, Estado volta atrás em norma que atendia determinação federal

A mobilização em torno da defesa da tradicional Linguiça Blumenau conquistou uma importante vitória. O Governo de Santa Catarina publicou nesta sexta-feira (5) a Portaria SAPE nº 24/2026, revogando a Portaria nº 14/2026, que havia sido editada para cumprir uma determinação do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e impunha mudanças na receita original da iguaria.

Com a revogação, ficam restabelecidas as regras anteriores que preservam as características históricas da Linguiça Blumenau, reconhecida como patrimônio cultural catarinense e detentora de Indicação Geográfica (IG) concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

A medida ocorre poucos dias após o deputado estadual Napoleão Bernardes (PSD) protocolar uma Proposta de Sustação de Ato (PSA) na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), questionando a legalidade e os impactos da norma que reduzia de 42% para 30% o percentual máximo de gordura permitido na composição do produto.

Para Napoleão, a decisão do Governo do Estado representa o reconhecimento de que a mudança gerava insegurança jurídica e colocava em risco um patrimônio construído ao longo de gerações.

“Essa é uma vitória importante dos produtores, da nossa cultura e da identidade catarinense. Conseguimos impedir que uma canetada burocrática descaracterizasse a receita original da Linguiça Blumenau. Mas essa é apenas a primeira batalha. A luta continua para derrubar definitivamente essa exigência junto ao Ministério da Agricultura e garantir segurança jurídica permanente para quem produz”, afirma o deputado.

Na própria portaria que revoga a norma anterior, a Secretaria de Estado da Agricultura reconhece a necessidade de preservar a segurança jurídica e destaca que alterações regulatórias não podem ocorrer de forma automática, sem a devida avaliação dos impactos concretos sobre o setor produtivo e sobre as normas já existentes, especialmente aquelas relacionadas à Indicação Geográfica.

Próximo passo: diálogo com Brasília

Embora a revogação da portaria estadual represente um alívio imediato para os produtores, a origem do problema permanece. A orientação técnica que motivou a mudança continua vinculada ao Ministério da Agricultura, razão pela qual a mobilização agora se concentra na esfera federal.

Napoleão defende a abertura de um diálogo institucional com o MAPA para demonstrar que a receita tradicional da Linguiça Blumenau não pode ser tratada como um produto industrial padronizado, mas sim como uma expressão cultural e gastronômica consolidada, protegida por reconhecimento oficial.

“A própria União reconheceu a autenticidade da Linguiça Blumenau ao conceder a Indicação Geográfica. Não faz sentido que outro órgão federal imponha uma alteração que contraria exatamente as características que justificaram esse reconhecimento. Vamos trabalhar para corrigir essa incoerência e preservar um patrimônio que pertence aos catarinenses”, destaca.

Felipe Elias