Redes sociais e os sentimentos

Redes sociais e os sentimentos

23 de outubro de 2020 Off Por Redação

 

 

Clarice Graupe Daronco / JMV

“O Instagram é um dos aplicativos mais queridos e populares do Brasil e do mundo, onde é possível curtir e compartilhar fotos e vídeos. Atualmente são mais de um bilhão de usuários cadastrados. O Brasil é o país que ocupa a segunda posição no ranking de usuário”. Com essas informações iniciais, a psicóloga Francielle Hartmann fala sobre responsabilidade afetiva.

A profissional observa que segundo alguns estudos, o Instagram é a rede mais prejudicial à saúde mental do usuário, devido às edições de imagens, comparações e restrições que geram o sentimento de insuficiência e competitividade entre os usuários. “Uma das notícias mais comentadas no momento no Instagram é sobre o pedido de divórcio do cantor Gustavo Lima. Não quero aqui julgar a decisão do Gustavo Lima em pedir o divórcio, mesmo porque ninguém precisa oferecer reciprocidade nas relações. Segundo a modelo, o cantor acordou a esposa às 6 horas da manhã simplesmente anunciando que não dava mais para continuar a relação. Vale ressaltar que o casal tem dois filhos e tinham acabado de voltar de uma viagem familiar. Como dizia Bauman, “vivemos tempos líquidos e nada é para durar””.

De acordo com a psicóloga o grande mal da humanidade hoje é a comparação. “As pessoas comparam no Instagram o trabalho, emprego, relacionamento e corpo. Assim vão idealizando algo que não existe. A mesma coisa aconteceu com o casamento de Gustavo Lima e Andressa Suíta, idealizaram um casamento perfeito e uma família feliz. De tanto seguir pessoas e famosos, acabam projetando nelas essa idealização, por isso ficam frustradas quando o divórcio acontece. Na verdade nunca foi perfeito, aquela relação também não era. Com certeza entre quatro paredes o casal tinha problemas como qualquer outro casal, o que na verdade não é mostrado nas redes sociais”.

Além de falar da comparação, a profissional destaca que é preciso falar sobre responsabilidade afetiva. “Principalmente em tempos digitais, as pessoas estão se comprometendo cada vez menos e não há mais responsabilidade com os sentimentos do outro. Responsabilidade afetiva é justamente isso, se responsabilizar pelo sentimento e expectativa que você cria em outro coração. É saber se colocar no lugar do próximo com respeito. Apesar de esses conceitos serem simples, eles não são praticados no dia a dia. Muitas vezes, confundimos a nossa liberdade e acabamos machucando o outro”.

Francielle observa que na era de aplicativos de relacionamentos, todos saem fazendo juras de amor e promessas em vão. “Geralmente, as pessoas constroem uma imagem falsa por trás das redes sociais. Tudo é muito líquido, dizia Bauman. Não pensamos no impacto das nossas ações, do que falamos, de como nos comportamos e o dano que isso pode causar na outra pessoa. Trata-se daquela velha máxima do clássico O Pequeno Príncipe, do autor francês Antoine de Saint- Exupéry, em que a raposa diz ao personagem: “És responsável por aquilo que cativas.” Cuidado, não use os sentimentos de alguém para alimentar o seu ego. Aí sim, é irresponsabilidade afetiva”.

Questionada sobre como se tornar uma pessoa mais afetiva e criar esta responsabilidade, a profissional afirma que: “primeiramente, fale de seus sentimentos e seja transparente. Diálogo em primeiro lugar. Seja natural e não forçado. Seja sincero, exerça a empatia e seja compreensivo com a outra pessoa. Não crie falsas expectativas. Demonstre afeto sincero. Expresse suas emoções”.