Datafolha mostra 96% de alcance do ensino remoto entre alunos da rede pública na região Sul

Datafolha mostra 96% de alcance do ensino remoto entre alunos da rede pública na região Sul

28 de agosto de 2020 Off Por Redação

 

 

Uma pesquisa do Instituto Datafolha sobre a “Educação Não Presencial na Perspectiva dos Estudantes e suas Famílias” constatou que 96% dos alunos da rede pública da região Sul do Brasil receberam atividades remotas, acima do alcance nacional de 82%. O percentual de estudantes da região Sul que fizeram alguma das atividades enviadas pela escola na semana anterior ao levantamento foi de 90%, enquanto o índice nacional foi de 68%. A pesquisa foi encomendada pela Fundação Lemann, Itaú Social e Imaginable Futures.

O levantamento de julho foi o terceiro ciclo feito pelo Datafolha com objetivo de identificar se os estudantes do Ensino Fundamental e Médio da rede pública estão recebendo, acessando e realizando as atividades remotas durante a pandemia no Brasil. Elaborada a partir de entrevistas com pais ou responsáveis de estudantes, a pesquisa também aprofunda algumas percepções, como a região Sul ter mais alunos adaptados ao sistema e maior protagonismo dos professores.

Apesar de não detalhar as informações por estado, a pesquisa reforça os dados divulgados pela Secretaria de Estado da Educação (SED) a partir dos levantamentos feitos em Santa Catarina junto às Coordenadorias Regionais de Educação e com apoio da plataforma Google Classroom. O levantamento feito em 7 de julho pela SED indicou que 522 mil de 537 mil alunos da rede estadual, correspondente a 97%, realizam as atividades não presenciais.

“A pesquisa confirma os bons números que temos alcançado em Santa Catarina, que está entre os maiores percentuais do país em alcance e participação nas atividades não presenciais. Seguimos trabalhando com o firme propósito de mantermos nossos alunos interessados nos estudos para que tenham vínculo permanente com sua escola e com seus professores, de modo a minimizarmos ao máximo o risco de evasão”, destaca o secretário de Estado da Educação, Natalino Uggioni.

Celular é a mídia mais usada para fazer as atividades

Além de identificar que 90% dos alunos da região Sul fizeram atividades enviadas pela escola, a pesquisa detalha as mídias usadas pelos estudantes. A constatação é que 77% dos alunos da região Sul fizeram as atividades pelo celular, 76% por materiais impressos, 57% pelo computador e 26% pela TV, que está incluída no projeto da rede estadual do Paraná.

Há diferenças de mídia para cada público. O índice dos estudantes que usam o computador é consideravelmente maior no Ensino Médio, enquanto as atividades impressas são mais usadas pelos alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental, geralmente em fase de alfabetização. Já no uso do celular, há equivalência entre os níveis de ensino.

Maior protagonismo do professor na região Sul

Para 82% dos pais e responsáveis na região Sul, os professores corrigem as atividades não presenciais, enquanto 74% percebem que os alunos recebem apoio dos professores para fazer as atividades. O índice está acima das demais regiões e da média nacional, em que 69% afirmaram que os professores corrigem as atividades e 65% que os professores apoiam os estudantes para tirar dúvidas.

Os dados refletem, no caso de Santa Catarina, a opção da SED em tornar o professor como o protagonista das atividades não presenciais. A secretaria criou capacitações e disponibilizou plataformas para que o docente possa escolher como deseja lecionar aos alunos durante o período em que estão distantes da sala de aula.

Índice de alunos adaptados e motivados em julho

A pesquisa indica que a região Sul tem o maior percentual de alunos adaptados ao sistema de atividades remotas. Esse item está associado a respostas dos pais de que o estudante “está motivado para fazer as atividades escolares em casa” e “com as atividades escolares em casa, está evoluindo no aprendizado”.

Além disso, houve aumento do índice de pais e responsáveis na região Sul que consideram que os estudantes estão motivados para fazer as atividades. O percentual era de 43% em junho e subiu para 55% na pesquisa de julho, atrás apenas da região Nordeste. O índice nacional é de 49%.

Um quarto dos alunos tem mais envolvimento com o sistema não presencial

Outro dado da pesquisa é que 24% dos alunos na região Sul estão mais envolvidos com as atividades escolares do que costumavam estar no período anterior ao isolamento social. Além do Sul ser a região com o maior percentual, supera o índice nacional, que é de 18%. Outros 17% seguem tão envolvidos quanto antes, 41% estão menos envolvidos do que estavam antes do isolamento social e 17% perderam o interesse.

A região Sul também tem o menor percentual de pais e responsáveis com medo do estudante desistir da escola, índice de 29%. O motivo, para 69% deste grupo de pais, seria o aluno não conseguir acompanhar as atividades em casa, enquanto a percepção de 23% é de que o aluno poderia ter medo de ficar doente ou contagiar outras pessoas da família. Apesar de estar abaixo da média nacional, que é de 38%, o risco de abandono escolar é um ponto de atenção e que vem sendo acompanhado pela SED.

Dados de equipamentos por alunos na região Sul

Por fim, a pesquisa do Datafolha elenca o acesso dos estudantes a equipamentos para fazer as atividades remotas. Na região Sul, 98% dos alunos têm equipamentos com acesso à internet (computador, notebook, tv e celular), sendo que 66% têm para uso individual e 31% dividem o aparelho. Entre os estudantes da região, 59% possuem computador ou notebook, 63% TV com acesso à internet e 97% celular com acesso à internet.

O índice de estudantes com acesso à internet banda larga no domicílio é de 80% na região Sul, enquanto o índice nacional é de 64%. O dado é próximo do retrato da rede estadual de Santa Catarina, em que os pais e responsáveis de 18% dos alunos marcaram na matrícula não ter acesso à internet em casa, informação usada para desenvolver o sistema de atividades não presenciais no Estado.

Modelos de ensino remoto implementados nos estados do Sul

Santa Catarina – O sistema de atividades não presenciais foi implementado a partir de 6 de abril, com enturmações realizadas na plataforma on-line do Google Classroom e a entrega de atividades impressas na escola, adaptadas do plano de ensino pelos professores. Antes disso, os alunos ainda tiveram à disposição uma página com recursos digitais de aprendizagem para manter a aprendizagem e o vínculo com a escola.

Paraná – Programa EAD Aula Paraná é um programa de ações iniciado em 6 de abril. Há transmissão de aulas pela TV aberta, YouTube e aplicativo Aula Paraná, além do uso das plataformas Google Classroom para controle e entrega de atividades. Alunos sem acesso à TV ou internet podem retirar as atividades impressas na escola.

Rio Grande do Sul – O modelo de ensino remoto começou em 1º de junho, usando a plataforma do Google Classroom e a entrega de atividades impressas aos alunos sem acesso à internet. Entre 19 de março a 31 de abril ocorreram as Aulas Programadas, com planejamento de cada comunidade escolar e uso de plataformas digitais, rede sociais, aplicativos, blogs, jogos interativos, entre outros.

Dados da pesquisa

A pesquisa Datafolha é quantitativa, com abordagem telefônica a partir de sorteio aleatório de números de telefones celulares, pré e pós pagos, distribuídos de acordo com o código DDD. Abrangência nacional com 1.056 entrevistas de pais ou responsáveis de estudantes de escolas públicas municipais e estaduais brasileiras, com idade entre 6 e 18 anos, dos anos iniciais, finais e médio.

O desenho amostral foi feito com base nas matrículas do Censo de Educação 2019, para a realização da distribuição regional das entrevistas. O campo foi realizado entre os dias 7 e 15 de julho de 2020. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.


Assessoria de Comunicação
Secretaria de Estado da Educação (SED)